sokolatagiaaggeia1100.jpg,q72bb11.pagespeed.ce.TXpsl5rDv4 Cat Channon nunca esqueceu a primeira vez que provou chocolate. Devia ter dois anos de idade quando a mãe lhe deu um dos característicos botões da Cadbury, pequenos chocolates circulares: pequenos, mas marcantes. De tal forma marcantes que esse momento da sua infância, o sabor incrível provocado pelo chocolate, definiu a sua carreira profissional.

Hoje, Cat Channon trabalha como Provador de Chocolate, desenvolvedora e cientista de chocolates para a Mondelez, a fabricante do chocolate da marca britânica Cadbury.

Após terminar os estudos de Química na Universidade de Warwick, Cat Channon começou a procurar emprego em laboratórios. Eventualmente, deparou-se com uma oferta que a deixou com o coração aos saltos: a Mondelez. Tinha apenas 22 anos mas estava ansiosa para arregaçar mangas e trabalhar entre chocolate, caramelo e doces. Tal era o desejo de ficar que, na entrevista, se ofereceu para ser paga em chocolate.

A Mondelez ficou com Cat Channon mas em vez de chocolate propôs um salário de 7,50 libras por hora para trabalhar no laboratório analítico da fábrica de Bourneville. A tarefa principal a desempenhar? Fazer testes ao caramelo usado para o recheio dos chocolates. A maioria dos testes envolvia aquecer o doce e observar se as diferentes mudanças da sua composição afetavam o sabor.

Mas não se deixe enganar: trabalhar com chocolate pode ser delicioso, mas é surpreendentemente difícil. De acordo com uma entrevista de Cat Channon ao The Guardian, o chocolate “é muito temperamental, porque se trata de uma mistura de gordura e cacau. A quantidade de tempo gasta na conchagem – a mistura de todos os ingredientes – é crucial. Quanto mais mexemos a mistura, mais os sabores se libertam”.

Channon assumiu desde início uma missão: tornar o chocolate ainda mais delicioso. Variáveis como o clima da região onde os grãos foram cultivados, o processo de secagem, a quantidade de açúcar e a forma como o chocolate se derrete na boca devem ser sempre tidos em conta. À mistura, entra a espessura do chocolate: durante o processo, quanto mais triturados forem os ingredientes mais grossa se torna a mistura e mais doce é ao chegar à boca.

Provador de chocolate: o que faz?

Eventualmente, o melhor momento da sua carreira aconteceu quando Cat Channon foi promovida para a equipa de pesquisa e desenvolvimento. Aqui as tarefas são ligeiramente diferentes: em vez de cientistas, a maior parte dos funcionários são chefs de cozinha ocupados a testar novas receitas e ideias que envolvem chocolate.

Três anos depois de ter começado o seu trabalho neste departamento, Channon está a liderar o seu próprio projeto de pesquisa e desenvolvimento. Entre 10 a 20% do seu tempo é passado a provar chocolate. “A equipa de marketing define conceitos para novos produtos – por exemplo, Marvellous Creation [um chocolate constituído por rectângulos irregulares] é divertido e deve ser partilhado em família – e nós, em Pesquisa e Desenvolvimento, damos vida a essas ideia.”

As amostras produzidas são sempre testadas – primeiro pela equipa e depois por alguns consumidores – de forma a perceber qual a melhor.

Isto significa portanto que, no seu projeto atual, Cat Channon está a gastar uma quantidade razoável de tempo a comer Dairy Milk da Cadbury – um dos clássicos da marca – e a pensar sobre como os diferentes sabores, texturas e ingredientes num pedaço de chocolate podem chegar ao consumidor.

O maior desafio do trabalho passa por criar uma receita de chocolate que seja capaz de apelar a uma audiência global maciça. “Podemos passar 6 meses a criar um produto maravilhoso e absolutamente delicioso, mas depois não o podemos fazer na fábrica, ou não o podemos empacotar, ou não é kosher ou adequado para vegetarianos”, diz cat Channon.

Isto não impede Channon de degustar e experimentar com uma mente aberta: “Eu acho que é melhor ser selvagem e criar o melhor produto possível e só depois dar um passo atrás e pensar em regulamentos e restrições. Porque talvez as restrições sejam levantadas ou seja possível encontrar uma maneira de as ultrapassar.”

Como uma dos 50 provadoras oficiais de chocolate da Mondelez, Cat também participa nas sessões regulares de degustação para avaliar diferentes aspetos dos produtos em que a equipa está a trabalhar. Para Cat, a maior desvantagem de comer muito chocolate no trabalho é que “se perde a capacidade de saborear apenas o chocolate. Estou sempre a pensar: Porque é que foi desenvolvido assim?” Além disso, o chocolate comprado nas lojas tem um sabor menos doce do que aquele a que Channon se habituou.

Mas o que é isto quando se é pago para comer chocolate?