brasil-permanece-lideranca-exportacoes-cafe-arabica O café está de tal forma enraizado na sociedade em que vivemos que é quase impossível imaginar um mundo onde não exista. Com mais de 1,6 mil milhões de chávenas de café servidas diariamente em todo o planeta, a bebida é tomada no mais variado tipo de ocasiões: pausas de trabalho, encontros sociais ou simplesmente por hábito. Energética, com um sabor intenso e característico, é considerada por muitos como um pequeno prazer.

Porém, um estudo levado a cabo pela Royal Botanic Gardens, em Londres, tem provocado algum alarme na Internet: até 2080, a espécie de café Arábica, uma das variedades de café mais consumidas, pode desaparecer. A culpa é do aquecimento global.

A investigação tem como alvo de estudo as plantas de café: o que nós bebemos é feito a partir de derivados desta planta. A perda de plantas não ia provocar a extinção do café, mas ia deixar a produção numa situação vulnerável: os preços iam certamente aumentar e a qualidade do café diminuir.

Todos os amantes de café sabem que existem duas variedades principais de café cultivado: Arábica e Robusta. O Arábica é de tal forma popular que a indústria depende neste momento de 70% da sua produção mundial. As plantações do Robusta são menos afectadas pelas condições meteorológicas mas o paladar amargo e exigente é menos procurado.

Entretanto, existem mais de 125 espécies menores de café ainda para explorar. O café pode não acabar: mas o sabor a que você está habituado pode desaparecer.

Etiópia: a mãe do café Arábica

O problema estende-se ao facto de que plantações como as da Etiópia, de onde provinha a maior parte do café entre os séculos XVII e XVIII, se estão a tornar incapazes de responder à procura. O património genético está em declínio: além de existirem cada vez menos, as plantas estão mais vulneráveis.

Focando-se na maior produtora de café da Etiópia, em África, o estudo da Royal Botanic Gardens combina observações de campo e simulações de computador para estudar como o Café Arábica pode afetar os vários cenários no futuro.

Os resultados são muito negativos. Mesmo no melhor dos cenários, dois terços da área adequada para cultivo podem desaparecer antes de 2080. Na pior das hipóteses toda a produção pode desaparecer. Agravando ainda mais este panorama, relembramos que estes são dados que dizem respeito ao impacto provocado pelas mudanças climatéricas, deixando de fora os danos provocados pela deflorestação.

A plantação de Boma, no Sudão, foi avaliada para se perceber a viabilidade das plantas. A conclusão foi a de que estão em muito mau estado. Aaron Davis, diretor da investigação, afirmou mesmo, segundo o National Geographic, que o estudo se tornou subitamente numa missão de resgate. Delineando estratégias para prevenir o desaparecimento da planta do café, o estudo recomenda que sejam guardadas amostras das plantas em bancos de sementes. Porquê? Porque as espécies podem desaparecer até 2020.

Mas de que forma é que o aquecimento global afeta o Café Arábica?

A planta Coffea Arabica cresce em altas altitudes nas montanhas tropicais, onde as temperaturas são mais frias e extremas. O Aquecimento Global provocou, no entanto, um aumento das temperaturas terrestres. Posto isto, o problema é então muito claro: quando as temperaturas sobem, para onde replantamos uma planta que já vivia no limite do ecossistema?

As florestas tropicais húmidas estão a desaparecer e, com elas, as plantas e animais.

Só na Etiópia a temperatura média aumentou 1,3 ° C desde 1960, de acordo com um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. De facto, estudos anteriores já confirmaram que tanto o café selvagem como o cultivado são muito sensíveis ao clima porque crescem apenas a temperaturas muito reduzidas.

O estudo identifica como é que a planta poderia sobreviver até pelo menos 2080 e apresenta recomendações para que a espécie seja protegida. Várias ações de conservação têm ajudado outras espécies a evitar a extinção.