Espresso
É verdade que o café é uma bebida para todas as alturas, mas alguma vez pensou na possibilidade de acompanhar um bife com uma chávena de café expresso? Ou, em vez disso, um qualquer prato de peixe?

A ideia está a ganhar terreno e não se surpreenda se da próxima vez que for jantar fora lhe ofereçam não só um cardápio com  os vinhos, como também uma lista de café para acompanhar refeições.

Para testar o conceito, a Nestlé convidou vários chefes de cozinha  de renome. Depois de uma pequena formação, os especialistas dos sabores foram convidados a saborear o café e a darem a sua opinião de sobre como o sabor forte da bebida pode ou não acompanhar uma refeição.

Entre os convidados estava Paolo Basso, aquele que em 2013 foi considerado o melhor escanção do mundo pela Associação Internacional de Sommeliers. Confessando-se um fã de café, o especialista esclarece que “a temperatura da bebida está muito relacionada com o que comemos”. Como tal, um bife de tártaro ou vieiras combinam perfeitamente com café.

À semelhança dos vinhos, também existem vários tipos de cafés: mais fortes, mais suave, ácidos ou amargos. A diversidade pode ser uma mais-valia já que há potencial para criar bebidas específicas que melhor se casem com determinados sabores.

Café expresso vs. Álcool

Outras das vantagens está no facto de o café não possuir álcool, o que faz com que a bebida possa ser consumida em maiores quantidades. Funcionando como um substituo ao vinho e à cerveja, o café pode ganhar terreno entre os cardápios dos restaurantes.

Abrindo as portas para um novo mercado, há também a possibilidade de explorar outras combinações, como por exemplo, cafés aromáticos ou misturas pouco prováveis. Recentemente, saíram noticias de que a Starbucks estava a estudar uma fórmula de café com sabor a cerveja.

Seguindo esta linha de pensamento, Paolo Basso sublinha que é necessários  manter “a mente e o espírito aberto”. De acordo com o especialista, o processo de degustação é extremamente complexo: apenas 20% dos processos ocorrem no paladar e no olfato; os restante 80% estão diretamente associados ao cérebro.

O café é considerado por muitas culturas como um excelente substituto do álcool. No mundo islâmico, por exemplo, a bebida é muito consumida, uma vez que, ao contrário das bebidas alcoólicas, não é proibida pelas leis religiosas.

Esta substituição não é algo de novo. Muitos acreditam inclusive que o café foi um dos grandes impulsionadores da Revolução Industrial. Numa altura em que em Inglaterra, a água estava contaminada, a única alternativa era ingerir álcool.

Como tal, as pessoas andavam sempre ligeiramente embriagadas, facto que se traduzia nos baixos níveis de produtividade. Com o aparecimento das primeiras cafetarias, a situação mudou e, por isso, diz-se que o café impulsionou a revolução.