bostonteaharbour O acontecimento é simbólico e será para sempre recordado como o instigador daquela que foi a primeira Revolução Liberal da história da humanidade. O Boston Tea Party, em português, a Festa do Chá de Boston, ocorreu no dia 16 de Dezembro de 1773 e funcionou como uma forma de protesto contra o poderio inglês sob as colónias norte-americanas.

Disfarçados de índios, um grupo de dissidentes do Império Britânico – os Sons of Liberty -, entraram em três navios da Companhia Britânica das Índias Orientais, aportados em Boston, e atiraram a carga de chá ao mar. O protesto surgiu após a aplicação do Tea Act, uma lei aprovada pelo parlamento inglês que tinha como objetivo combater o contrabando e obrigar os colonos a comprar chá à pátria-mãe.

O líder do protesto foi John Hancock, um burguês, nascido em Massachusetts, cujo nome viria a ser recordado pelo seu papel decisivo na luta pela independência dos Estados Unidos da América.

 

Quem foi John Hancock?

John_Hancock_1770-cropNascido em berço de ouro, John Hancock herdou um negócio de mercadorias e tornou-se num dos homens mais ricos das 13 colónias norte-americanas. O interesse pela política surgiu posteriormente e foi-lhe incutido pelo próprio Samuel Adams, um dos nomes a destacar quando falamos dos “founding fathers” dos Estados Unidos da América.

A sua popularidade cresceu quando um dos seus navios, o HMS Liberty, foi apreendido por soldados norte-americanos por acusações de contrabando. Desde então, Hancock tornou-se numa das principais figuras contra o domínio inglês e usou a sua fortuna para financiar o movimento revolucionário.

O seu estatuto fez com que presidisse o Segundo Congresso de Filadélfia, tendo sido o primeiro a assinar a Declaração da Independência. O trabalhado da sua letra é, ainda hoje, recordado e fez com que o nome “John Hancock” passasse a ser utilizado como um sinónimo para assinatura.

 

O caminho para a Independência

Apesar da importância do Boston Tea Party, importa salientar que o ato não foi isolado e surgiu, na verdade, como o culminar de uma série de acontecimentos que há muito geravam mal-estar entre as 13 colónias e a coroa britânica. Refira-se, por exemplo, o Massacre de Boston que havia ocorrido 3 anos antes na mesma cidade e em que soldados britânicos atiraram sobre um grupo de manifestantes indefesos.

Entre os motivos que levaram ao descontentamento, destacam-se os pesados impostos aplicados a produtos de elevado consumo – como o chá e o papel – e limitações económicas definidas pela coroa.

Em 1765, aplicava-se a Leia do Aquartelamento, que obrigava qualquer colono norte-americano a oferecer moradia, alimento e transporte a qualquer soldado em inglês. Posteriormente, foi definido que nenhum inglês acusado de penas capitas poderia ser julgado nas colónias. Em vez disso, deveria ser levado de regresso a Inglaterra para evitar julgamentos hostis e parciais.

As leis traduziram-se num aumento de descontentamento que levou o Reino Unido a optar por uma política de mão de ferro e pela aplicação de medidas ainda mais rígidas. Decorria o ano de 1774 quando o parlamento inglês decidiu aprovar os Atos Coercivos  – designados pelos colonos como Atos Intoleráveis. Entre as directivas, previa-se a abolição do governo de Massachussets e o fim do comércio no porto de Boston até que as companhias lesadas pelo Boston Tea Party fossem indemnizadas.

Em resposta, 12 das 13 colónias uniram-se naquele que ficou conhecido como o Primeiro Congresso Continental. Durante a reunião, discutiram alternativas, entre as quais o boicote ao comércio britânico, e escrevem uma carta ao rei George III, denunciando as injustiças e o grau de excessividade das medidas tomadas.

Sem o apoio do rei, as colónias voltaram a reunir-se em 1775 no segundo Congresso de Filadélfia. Foi neste encontro que Thomas Jefferson escreveu a famosa Declaração da Independência dos Estados Unidos, promulgada um ano depois. Dava-se, então, início à Guerra da Independência dos Estados Unidos e à formação de um exercito sob a chefia de George Washington,  a figura que viria a tornar-se no primeiro Presidente do país.